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Muse Spark Open: dá para rodar localmente o modelo de pesos abertos da Meta — e o Muse Code?

A Meta lançou o Muse Spark Open em 15 de outubro: 816B de parâmetros, uma licença própria e uma exigência de hardware que a maioria dos desenvolvedores não consegue atender. Veja o que a licença permite, o que é preciso para rodá-lo e o que a Meta disse — e não disse — sobre usar o Muse Code com ele.

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O que a Meta lançou

Em 15 de outubro de 2026, a Meta publicou os pesos do Muse Spark Open, um grande modelo de pesos abertos da família Muse Spark. As principais especificações:

  • Tamanho: 816 bilhões de parâmetros no total, 42 bilhões ativos por token (arquitetura mixture-of-experts).
  • Contexto: 1 milhão de tokens.
  • Entrada: texto, imagens, vídeo e áudio. Saída: texto.

É um lançamento de outra natureza que o do Muse Glimmer, o modelo aberto de 30B que a Meta lançou em 10 de agosto. O Glimmer foi feito para rodar numa única GPU de consumo. O Spark Open foi feito para rodar num data center ou num cluster de workstations parrudas.

A licença, sem juridiquês

O Spark Open sai sob a Muse Model License, uma licença própria escrita pela Meta. Ela não é uma licença open source aprovada pela OSI, então o termo correto é “pesos abertos”. Na prática:

  • Você pode rodar, modificar, fazer fine-tuning, destilar e redistribuir o modelo, desde que siga as condições da licença e a política de uso da Meta.
  • Você precisa exibir “Built with Muse Spark Open” nos produtos que o utilizam.
  • Se você é um grande host de modelos — uma empresa com mais de US$ 20 milhões de receita bruta em 12 meses oferecendo o modelo como negócio de model serving —, precisa notificar a Meta e assinar um acordo separado.
  • As saídas são suas. A Meta não reivindica a propriedade do que o modelo gera.

Para a maioria dos times, a cláusula de receita não se aplica. Provedores de hospedagem e revendedores devem lê-la por inteiro. O Glimmer, em comparação, é Apache 2.0, sem selo de atribuição e sem limite de receita.

De que hardware ele precisa de verdade?

Muito. A orientação da Meta é de cerca de 700 GB de memória de acelerador em precisão NVFP4 e uns 2 TB em BF16. Os 42B de parâmetros ativos deixam cada token relativamente barato de calcular, mas os 816B de parâmetros precisam ficar todos na memória.

A demo da própria Meta usou dois Mac Studio com M5 Ultra — com até 512 GB de memória cada — rodando o modelo com MLX. É o setup mais acessível que a Meta mostrou, e ainda assim exige duas máquinas topo de linha. O Spark Open não é modelo para notebook, e uma única GPU gamer de ponta não dá conta dele.

Onde conseguir

  • Pesos: Hugging Face (com acesso restrito, meta-models/Muse-Spark-Open-816B-A42B), Amazon SageMaker AI, Google Cloud Model Garden e Microsoft Foundry.
  • Engines de inferência: SGLang, vLLM, TensorRT-LLM, Transformers, MLX, llama.cpp e Unsloth. Para fine-tuning, a Meta indica o TorchTitan.
  • APIs hospedadas: Baseten, Fireworks AI, Groq, Modal, Nebius, OpenRouter e Together AI. A Together cobra US$ 1,25 de entrada, US$ 0,15 de entrada em cache e US$ 4,25 de saída por 1M de tokens. A Groq limita o contexto a 131K tokens, em vez do 1M completo.

O preço da Together é o mesmo que a Meta cobra pelo muse-spark-1.3 hospedado. Se tudo o que você quer é acesso por token, os pesos abertos não saem mais baratos. Eles compensam quando você precisa hospedar por conta própria, fazer fine-tuning ou manter os dados no seu próprio hardware.

Como ele se sai nos benchmarks?

A tabela de lançamento da Meta, com a ressalva de sempre de que são números do próprio fornecedor:

Benchmark Muse Spark Open Observação da tabela da Meta
Terminal-Bench 2.1 76,4 Kimi K3 lidera com 85,0
MCP-Atlas 89,2 Lidera a comparação
JobBench 61,8 Lidera a comparação
Artificial Analysis Intelligence Index 39 Abaixo do GLM-5.3 (45) e do MiMo-V2.6-Pro (46)

O Spark Open parece mais forte em uso de ferramentas e tarefas de agente, e mais fraco em medidas de inteligência geral que os melhores modelos abertos rivais. Para comparar, a VentureBeat colocou o Spark 1.3 hospedado em 61 no mesmo índice, como registramos no nosso texto sobre o Spark 1.3. O modelo aberto não é uma cópia gratuita do carro-chefe.

Dá para rodar o Muse Code localmente com ele?

Em parte — segundo a Meta, mas ainda sem instruções da Meta. A empresa diz que o Muse Code roda sobre o Spark Open em fluxos agênticos no próprio dispositivo, em hardware Apple. As demos mostraram o agente editando o app Ice Cubes, cliente do Mastodon, e operando o DaVinci Resolve.

O que a Meta não publicou é um passo a passo: não existe uma configuração documentada de provedor local que diga como apontar o Muse Code para um endpoint do Spark Open hospedado por você. O CLI 1.4.2 acrescentou as flags --provider e --model ao muse serve, mas a Meta não as documenta como caminho para um servidor local do Spark Open. Então:

  • Muse Code totalmente offline é algo que a Meta demonstrou, não documentou. Conte com experimentação e não planeje uma implantação no time em cima disso por enquanto.
  • O hardware é o limite real. A demo documentada precisou de dois Mac Studio com muita memória.
  • Os modelos da assinatura não vêm junto. Rodar localmente não dá acesso ao Muse Wonder nem ao Wonder Full; esses são só hospedados.

Se isso mudar, vai aparecer na documentação e no nosso changelog.

Spark Open vs. Muse Glimmer vs. Spark 1.3 hospedado

Muse Spark Open Muse Glimmer Muse Spark 1.3 (hospedado)
Lançamento 15 de outubro de 2026 10 de agosto de 2026 2 de setembro de 2026
Tamanho 816B no total, 42B ativos 30B —
Licença Muse Model License (própria) Apache 2.0 Proprietária, só via API e produtos da Meta
Hardware ~700 GB (NVFP4) a ~2 TB (BF16) Uma GPU de consumo, ~20 GB quantizado Nenhum — a Meta hospeda
Contexto 1M de tokens — 1M de tokens
Preço Seu hardware, ou US$ 1,25 / US$ 4,25 por 1M na Together AI Seu hardware US$ 1,25 / US$ 4,25 por 1M (standard)
Muse Code A Meta diz que roda em hardware Apple; sem setup documentado Não documentado para o Muse Code O modelo padrão

Para quem ele é?

  • Empresas e laboratórios que precisam manter os dados na própria infraestrutura, ou querem fazer fine-tuning ou destilar um grande modelo agêntico.
  • Provedores de inferência, o que explica a longa lista de hosts no dia do lançamento — e a cláusula de receita voltada a eles.
  • Donos de setups Apple ou de GPU muito grandes que querem experimentar com um agente local antes da documentação oficial.

Para todo o resto, as opções práticas não mudaram: o Spark 1.3 hospedado, pelo Muse Code ou pela Meta Model API, se você quer o agente, e o Glimmer, se você quer algo que rode numa GPU só. Nossa página de comparação mostra como tudo isso se compara aos agentes rivais.

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